Tempo de refeição encurtado = perímetro abdominal alargado?

Um estudo recente realizado no Japão conclui que pessoas que demoram mais tempo a ingerir uma refeição têm menor probabilidade de aumentar de peso. Teoricamente faz sentido e certamente já se lembrou daquele seu amigo que demora tanto tempo a comer que até perde a fome só de olhar para ele! Este estudo, na tentativa de perceber melhor quais os factores comportamentais interligados com a obesidade, reuniu cerca de 60 000 indivíduos japoneses com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 durante um período de 6 anos.

Durante os seis anos da investigação, os indivíduos mais rápidos tinham, em média, além de um IMC acima da faixa do normal, um perímetro abdominal também aproximadamente 1 cm mais elevado que os restantes. Destes 60 000 participantes, um número considerável, 22 070, comem depressa demais. Concluiu-se que pessoas que comem mais devagar têm menos 42% de probabilidade de ter excesso de peso. Mastigar devagar os alimentos, saboreando cada garfada e dedicando tempo à própria refeição pode ser uma estratégia efetiva no processo de emagrecimento. Logicamente, comendo muito depressa, não existe tempo para os mecanismos supressores da fome atuarem, o que se crê que demora cerca de vinte minutos. Assim, quem come depressa não se apercebe desta importante mensagem e continua a comer, com sensação de fome, mesmo depois de ter ingerido a quantidade suficiente de alimentos. De acordo com outras investigações anteriores, esta tendência pode também originar flutuações bruscas da glicémia, conduzindo a resistência à insulina, um mecanismo presente na obesidade e responsável pela diabetes.

Mas onde nos leva esta discussão? O ritmo frenético da rotina de hoje não está a ajudar na manutenção de um peso saudável. O ambiente onde vivemos atualmente é sabidamente “obesogénico”, com disponibilidade rápida de comida pouco saudável, com almoços no trabalho a correr, com a omissão de refeições, com a diminuição das horas de sono. O que puder fazer para contrariar isto é bem-vindo. Deixe o telemóvel longe, desligue a televisão, deixe o email em paz quando saboreia a sua refeição e passe a meia hora do almoço fora do seu ambiente de trabalho, de preferência. A propósito deste problema, um novo conceito de “mindfull eatig” surgiu da necessidade de saborear a comida e retirar verdadeiramente prazer da refeição. Estudos americanos recentes nesta temática concluem que desta forma é possível perder seis vezes mais peso apenas com esta estratégia, recorrendo a alimentos ricos nutricionalmente e adequados aos seus objetivos, saboreados lentamente.

Tudo isto é importante, não só para si. Sabe-se que na adolescência o tempo que se passa à mesa poderá ditar a composição corporal, realçando a importância de passar o bom exemplo à família.

Posto isto, convido-o a fazer uma auto-análise. Considera-se um slow-eater ou um fast-eater?

Retirado de:

  1.        Totsuka K, Maeno T, Saito K, Kodama S, Asumi M, Yachi Y, et al. Self-reported fast eating is a potent predictor of development of impaired glucose tolerance in Japanese men and women: Tsukuba Medical Center Study. Diabetes Res Clin Pract [Internet]. 2011 Dec [cited 2018 Apr 27];94(3):e72–4. Available from: http://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0168822711004608
  2.        Otsuka R, Tamakoshi K, Yatsuya H, Wada K, Matsushita K, OuYang P, et al. Eating fast leads to insulin resistance: Findings in middle-aged Japanese men and women. Prev Med (Baltim) [Internet]. 2008 Feb [cited 2018 Apr 27];46(2):154–9. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17822753
  3.        Dunn C, Haubenreiser M, Johnson M, Nordby K, Aggarwal S, Myer S, et al. Mindfulness Approaches and Weight Loss, Weight Maintenance, and Weight Regain. Curr Obes Rep [Internet]. 2018 Mar 14 [cited 2018 Apr 27];7(1):37–49. Available from: http://link.springer.com/10.1007/s13679-018-0299-6
  4.        Ochiai H, Shirasawa T, Ohtsu T, Nishimura R, Morimoto A, Hoshino H, et al. The impact of eating quickly on anthropometric variables among schoolgirls: a prospective cohort study in Japan. Eur J Public Health [Internet]. 2014 Aug 1 [cited 2018 Apr 25];24(4):691–5. Available from: https://academic.oup.com/eurpub/article-lookup/doi/10.1093/eurpub/ckt120
  5.        Ochiai H, Shirasawa T, Nanri H, Nishimura R, Matoba M, Hoshino H, et al. Eating quickly is associated with waist-to- height ratio among Japanese adolescents: a cross-sectional survey. [cited 2018 Apr 25]; Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4860764/pdf/13690_2016_Article_130.pdf
  6.        Hurst Y, Fukuda H. Effects of changes in eating speed on obesity in patients with diabetes: a secondary analysis of longitudinal health check-up data. BMJ Open [Internet]. 2018 [cited 2018 Apr 25];8. 

Written by Dra. Catarina Santos

Médica de Medicina Geral e Familiar, praticante de fitness e bodybuilding, seu objetivo principal é a nutrição e as boas práticas de treino.

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